quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

As Eleições Autárquicas em Cascais de 2001 e 2005

Decorreu no passado dia 27 de Outubro, na Secção de Alcabideche, um debate promovido pelo Clube de Reflexão A Linha, que teve como tema as Eleições Autárquicas em Cascais de 2001 e 2005. Moderado pelo Camarada António Miranda, o presente debate contou com as presenças do Camarada Fernando Arrobas da Silva, candidato à Presidência da Câmara Municipal de Cascais em 2005, do Camarada Germano de Sousa, presidente da Assembleia Municipal de Cascais no 2.ª Mandato de José Luís Judas e candidato à Presidência da Assembleia Municipal em 2005, e do Camarada Umberto Pacheco, Presidente da Comissão Política Concelhia de Cascais em 2001 e 2005.

O Camarada José Lamego foi convidado pela Linha a estar presente neste debate, tendo declinado o convite por se encontrar afastado das questões autárquicas e mesmo da vida política. No entanto, sublinhou a importância da presente iniciativa e desejou as maiores felicidades ao Clube A Linha.

António Miranda, sublinhou a importância das próximas eleições autárquicas para o Partido Socialista e recordou os debates que A Linha tem realizado em torno deste tema. Contudo, para preparar o futuro, referiu que importa conhecer o passado, de modo a evitar erros cometidos e aprofundar a reflexão com a participação de todos, recordando os presentes que já passou um ano desde as últimas eleições autárquicas realizadas em 11 de Outubro de 2009.

“Entendemos ser este o momento adequado para falar do passado de forma desapaixonada. Analisar todo o processo e comparar as campanhas, reconhecendo os erros cometidos se for o caso. Mais do que assacar culpas ou pedir explicações, importa deixar pistas para o futuro”, sublinhou António Miranda.

Umberto Pacheco iniciou a sua intervenção referindo que o Partido Socialista em Cascais terá de ter uma estratégia definida ao longo do tempo, identificando cinco eixos sobre os quais se deve estruturar uma campanha: o perfil do candidato, a escolha das equipas, o programa eleitoral, a equipa envolvida na campanha eleitoral, a que chamou de “exército”, e a logística a proporcionar pelas estruturas do Partido.
Ao analisar as campanhas eleitorais de 2001 e 2005, destacou as circunstâncias políticas específicas em que estas se realizaram e os perfis dos candidatos à Câmara, que eram muito distintos um do outro, sublinhando como a maior fragilidade das campanhas a questão organizacional. Apesar de uma melhor preparação na campanha de 2005, a falta de motivação do tal “exército”, a par com a falta de recursos para a campanha contribuíram para os resultados finais.
O Camarada Umberto Pacheco sublinhou ainda que cada uma destas dimensões carece de um trabalho específico e dedicado, que continua a tardar. Com efeito, a criação de uma estratégia de intervenção política nas freguesias é possível, sobretudo por via de uma relação estreita com o eleitorado, destacando como exemplo o trabalho realizado por José Luís Judas durante as eleições autárquicas que lhe valeu a vitória em Cascais.

Por fim, recordou que notoriedade não é sinónimo de credibilidade para o eleitorado, e nem sempre a escolha de um candidato feita apenas tendo em atenção esta dimensão é bem sucedida, muito pelo contrário.

Por seu turno, o Camarada Fernando Arrobas da Silva, começou por reconhecer que a imagem que ainda persiste é a de um candidato ‘sozinho’, expressando que mesmo em circunstâncias diferentes, ‘a derrota é igual’. Arrobas da Silva identificou pequenas diferenças nas recentes campanhas, mencionando que pouco se aprendeu e pouco conhecimento e experiência se retirou das eleições anteriores.

Referiu ainda que o Partido Socialista é o maior partido político português e que em condições normais ganharia as eleições autárquicas e é por isso que se mantém esta coligação entre o PSD e o CDS. Apesar da reduzida dimensão nacional, o CDS em Cascais continua a ter uma importante base de apoio eleitoral. Neste sentido, defende que o PS deverá no futuro estabelecer uma coligação pré-eleitoral com o PCP.

Arrobas da Silva, fez ainda um balanço do seu mandato enquanto Vereador, deixando duras críticas ao executivo da coligação PSD/CDS.

Finalmente, o Camarada Germano de Sousa fez referência à importância da constituição das listas. O modo como estas são constituídas é um factor fundamental para o sucesso das eleições. “Importa abrir as listas a pessoas fora do Partido” sublinhou. Chamou ainda a atenção para o programa eleitoral, o qual tem de ser feito atempadamente e com o envolvimento das forças vivas de Cascais.

Mais referiu que urge pensar numa campanha em regime de continuidade, acompanhando esta a estratégia política do partido, tendo ainda de lhe estar associada uma estratégia eleitoral.

O Camarada Germano de Sousa acrescentou que sobre o candidato, “este deve ser escolhido hoje, para começar a trabalhar em Cascais já amanhã”. O candidato tem de conhecer Cascais, viver Cascais, de modo a provar que está preparado e que é capaz de fazer melhor em Cascais do que a actual coligação. Para tal, importa ter presente o papel fundamental que a comunicação social desempenha, devendo esta ser substancialmente melhorada.
Após as intervenções, foi aberto um espaço de debate, onde foi possível aos presentes colocarem questões aos convidados, nomeadamente questões como a, tendo ainda a Juventude Socialista deixado a sua preocupação com a falta de articulação e colaboração entre secções.
A estas intervenções seguiu-se um participado debate. Entre as questões abordadas foi dado especial enfoque nomeadamente à elevada taxa de abstenção no Concelho de Cascais, à falta de articulação e colaboração entre as estruturas políticas locais e a definição estratégica e consequente implementação que tarda em acontecer.
Texto retirado do blog da "Linha - Clube de Reflexão Política".

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